16ª Conferência de Inovação ANPEI – Participantes realizam imersão em empresas do ecossistema de inovação mineiro durante visitas técnicas

A primeira parada do Circuito de Inovação Belo Horizonte foi no Espaço Seed – Startups and Entrepreneurship Ecosystem Development – que é a única aceleradora com recursos públicos do Brasil e nasceu a partir de um programa de aceleração de startups para empreendedores de todo o mundo que queiram desenvolver seus negócios em Minas Gerais. Além disso, o espaço foi pensado também como uma plataforma de coworking para que, pessoas de diferentes empresas possam atuar juntas criando um ecossistema mais colaborativo.
O espaço recebe por ano cerca de 40 startups e investe entre R$ 68 mil a R$ 80 mil em cada uma delas sem pedir nenhuma porcentagem. A troca é feita através de ações de difusão para apresentar os projetos e incentivar a busca constante pela inovação e tecnologia entre empresas, empreendedores, pesquisadores e estudantes. O alto investimento neste setor é uma alavanca para diversificar a economia do Estado que é atualmente a 21ª maior do país sem seus grandes destaques: agricultura e minério.
“Queremos diversificar a economia. Minas Gerais é um celeiro de oportunidades e talentos e por isso temos que investir muito. Em época de crise, devemos usar a criatividade e é isso que estamos fazendo”, contou o subsecretário de Ciência, Tecnologia e Inovação de Minas Gerais, Leonardo Dias, durante a apresentação do espaço.
Para contar um pouco de como funciona na prática, quatro startups aceleradas no espaço Seed, fizeram seus pitches, entre elas a Contraktor que é um SaaS para pequenas e médias empresas aumentarem a performance na gestão de contratos; a Expediente Azul que é uma ferramenta para instituições financeiras escalarem as vendas reunindo automaticamente a documentação de um cliente que quer um empréstimo; a Saipos que criou um robô gestor com PDV integrado para minimizar a complexidade dos sistemas para restaurantes a Cuboz que é uma plataforma Gratuita para Ensino a distância com aprendizado colaborativo.
Saindo um pouco do universo da aceleradora e de startups, os participantes partiram para a sede da Google, inaugurada em 2016 em Belo Horizonte. O espaço foi consolidado após dez anos de operação da empresa em Minas Gerais e é o único da América Latina, com foco em engenharia. São 4,8 mil metros quadrados onde atuam engenheiros recrutados nas universidades de Minas Gerais, profissionais de 12 estados do Brasil e alguns estrangeiros.
O espaço, que pode ser considerado o escritório dos sonhos, para a geração millennial, pois contém desde de salas com vídeo games, mesas de sinuca, escalada, barbearia até cozinhas totalmente equipadas, restaurante, sala de pilates, terapeutas e médicos à disposição. Tudo isso reunido em um dos quatro andares pertencentes à empresa que atua com engenheiros responsáveis por projetos como a localização do Google News, book search, redes sociais como o Orkut e atualmente, detecção de abuso, sendo abuso qualquer coisa que não está nos termos do Google, como: fishing, malware, spam, pornografia, pornografia infantil e etc.
“Atualmente fazemos um trabalho de classificar por dia, cerca de nove bilhões de conteúdos diferentes que os usuários copiam do google, desde um blog post feito num blog, um projeto no cloud, comentários em um vídeo do youtube até mesmo e-mails no gmail. São dados de usuários do mundo todo”, conta o engenheiro Bruno Fonseca, que atua há 12 anos na empresa.
Bruno veio da Akwan Information Technologies, uma empresa brasileira criada por um grupo de professores do Departamento de Ciência da Computação da UFMG, que foi comprada pela Google em 2005 e se tornou um Centro de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) da gigante na América Latina. O engenheiro gerencia uma equipe de 120 pessoas, sendo 20 brasileiros e 100 nos Estados Unidos e foi quem apresentou os projetos e contou um pouco sobre o funcionamento da célula brasileira.
“A Google tem a filosofia que nem todo engenheiro de talento quer ir para os Estados Unidos e criou esse conceito de escritórios remotos. Aqui não fazemos tecnologia somente para o Brasil e sim para o mundo todo. O maior benefício de ter o escritório aqui é reter talentos locais além disso, ser uma empresa de fora nos ajuda a aprender a gerar tecnologia como em lugares como Vale do Silício”, explicou Bruno.
Para finalizar o circuito das visitas técnicas, o grupo foi ao Centro de Inovação e Tecnologia (CTI) SENAI FIEMG, trata-se de um campus voltado para o desenvolvimento de pesquisas e projetos que possam impulsionar a indústria. O local é formado por três institutos SENAI de Inovação que são responsáveis pela área de pesquisa e desenvolvimento para projetos de âmbitos nacionais e cinco institutos SENAI de tecnologia, que desenvolvem soluções específicas em âmbito regional.
Para que os participantes pudessem ter a chance de conhecer todos os laboratórios, foi criado três grupos com circuitos de áreas equivalentes: o grupo 1 visitou os institutos SENAI de Tecnologia em Química, Meio Ambiente, Alimentos e Bebidas, o grupo 2 o instituto de Automotiva e Metalmecânica, e o terceiro os Institutos SENAI de Inovação em Engenharia de Superfícies, Processamento Mineral e Metalurgias e Ligas Especiais.
Uma das grandes atrações do centro é o Laboratório Aberto, que foi visitado por todos os participantes. A proposta do Laboratório Aberto é ser um ambiente de aprendizado para receber todo tipo de pessoa que queira colocar uma ideia inovadora em prática, a maioria pessoas físicas e microempreendedores individuais, e para isso, o local foi totalmente equipado com maquinário de alta tecnologia como impressoras 3D e máquinas de corte específicas para diversos materiais.
A última visita técnica aconteceu na unidade da Embraer que está situada no campus do CTI. No local, engenheiros desenvolvem não apenas projetos, mas realizam análises e constroem softwares que serão usados nos aviões. No local são desenvolvidos projetos para todo tipo de aeronave, desde das aeronaves comerciais, até as empresariais e militares. O grupo de mais de 100 pessoas atua na unidade desde 2012.
Para a diretora da Anpei, Sayonara Moreira, as visitas são um meio muito interessante de ver de perto como esse ecossistema, que contempla universidades, grandes empresas e startups está funcionando.
“É uma forma de ver como a sua realidade esta representada em outras empresas, isso desde os desafios, as oportunidades e descobrir quais são as diferenças e o que pode ser melhorado. É a chance de aprender como os outros estão inovando e pensar em adaptações para melhorar. Hoje tivemos exemplos bastante inspiradores e diferentes, a Google como uma empresa de tecnologia, a Embraer que também produz tecnologia, mas em grande escala, o próprio sistema da FIEMG que mostrou a pesquisa e o desenvolvimento fora da indústria e que somados foram exemplos bem completos para todos os participantes”.
Fonte: Anpei

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