Indústria do Futuro é um dos temas da 15ª Conferência Anpei

No dia 25 de agosto os participantes da 15ª Conferência Anpei de Inovação Tecnológica, que acontece entre 24 e 26 de agosto em Cabo de Santo Agostinho – PE, poderão conferir o painel “Panorama da Indústria do Futuro no mundo e no Brasil”, que será moderado pelo Secretário de Inovação do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Marcos Vinícius de Souza e Carlos Arruda da Fundação Dom Cabral (FDC).
Durante o painel, especialistas nacionais e internacionais apresentarão palestras sobre o tema.
Transmissores, computadores, células de produção e diversos equipamentos trocando informações entre si, em tempo real, constituindo um sistema inteligente que permite o monitoramento e a tomada de decisões sobre produção, custo e segurança. Esta é a realidade produtiva que começa a se consolidar nos países desenvolvidos, tendo como base a Internet das Coisas, associada ao uso do Cloud Computing e do Big Data. E o conceito que caracteriza esta nova realidade produtiva é conhecido como “Indústria do Futuro”, representada pelo movimento alemão chamado “Indústria 4.0” e norte-americano, nomeado “Advanced Manufacturing”.
A expectativa é que a transição para esse novo modelo de produção industrial traga consigo uma série de vantagens. As indústrias poderão reduzir custos, aumentar a segurança na produção, a transparência nos negócios e a integração na cadeia produtiva, além de viabilizar a personalização e a produção em escala. Segundo estudos recentes da Roland Berger, a agregação de valor pode alcançar de 15 a 30%, dependendo da indústria. Mas para alcançar amadurecimento operacional e permitir que este tipo de experiência se multiplique é preciso investir em pesquisa, desenvolvimento e inovação.
De acordo com diretor do SENAI Santa Cataria (SC), Jefferson Gomes, o Brasil é um país com grande mercado consumidor, portanto dependente de uma indústria diversificada. “Desse modo, vejo que além dos desenvolvimentos esperados de processos de inovação para produto e de fabricação, a geração de informações embarcadas nos produtos ao consumidor e à cadeia de suprimentos será uma constante. Esse impacto de Big Data também será o elemento decisório para o surgimento de sistemas supervisórios que tomarão decisões automatizadas”, diz Jefferson. A saber, basicamente, um sistema supervisório destina-se a capturar e armazenar informações sobre um processo de produção em um banco de dados.
Devido aos riscos quanto as profissões que serão automatizadas, o diretor do SENAI-SC acredita que o país deve gerar oportunidades para empresas industriais nacionais surgirem. “Na Conferência Anpei vou abordar essas oportunidades supracitadas que impactam o desenvolvimento industrial nacional futuro. Serão utilizados exemplos estadosunidenses, alemães, chineses e japoneses, mas a estrada será sempre pavimentada com conteúdo nacional”, ressalta Jefferson.
José Pacheco, formado pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), estará no Brasil em agosto exclusivamente para se apresentar na Conferência Anpei e trocar experiências com o público presente no evento. Com 20 anos de experiência em Smart Manufacturing, Pacheco auxilia estudantes e novos empreendedores dos Estados Unidos, da América Latina e da Europa, firmando uma relação de parceria entre a academia e o mundo dos negócios.
O especialista reconhece que o Brasil está passando por uma fase de transição econômica e aponta que os investimentos em infraestrutura e novas fontes de energia são úteis, mas a baixa produtividade da indústria se apresenta como uma grande desvantagem competitiva no cenário mundial. “A Indústria do Futuro aumenta a produtividade de forma significativa, combinando processos de fabricação, métodos de controle estatístico e materiais com sensores emergentes, que permitem às empresas criar novos produtos rapidamente, a um custo menor, e, geralmente, de forma ecologicamente sustentável”, diz Pacheco, alertando, no entanto, que a tecnologia não é a única condição suficiente para adquirir vantagem competitiva. “A mentalidade gerencial tem que mudar. E essas modificações vão exigir investimentos simultâneos na educação básica e superior, especialmente em áreas técnicas e de engenharia”.
Com foco em estudos de caso, a apresentação de José Pacheco durante a Conferência Anpei irá delinear essas mudanças nos setores industriais e educacionais.
No Brasil, um exemplo da chamada Indústria do Futuro é a fábrica da Fiat Chrysler Automobiles (FCA), o Polo Jeep em Goiana, Pernambuco. Na Conferência, Egon Daxbacher, responsável pela implantação do Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Fiat Chrysler Automobiles (FCA) em Pernambuco, irá falar sobre a implantação da fábrica na cidade de Goiana no estado Pernambuco.
“A Indústria 4.0 preconiza algumas premissas, tais como: a redução do work-in-progress por meio da maior interação dos processos e, inclusive, da cadeia de fornecedores no mesmo site físico; a troca do trabalho menos qualificado, repetitivo e braçal pelo trabalho mais qualificado, pelo emprego intensivo de automação e pela interface homem-máquina; e a eliminação dos desperdícios e do consumo desenfreado dos recursos. Estas três premissas beneficiarão a sociedade como um todo devido às melhores condições e ofertas de trabalho”, explica Egon, que durante a Conferência dará ênfase ao caráter inovador do Polo Jeep e do futuro Centro de Pesquisa, tanto na aplicação tecnológica, quanto na logística interna e gestão de recursos humanos.
As inscrições para a 15ª Conferência Anpei podem ser feitas até o dia do evento. Para mais informações ou para se inscrever, acesse o site: www.anpei.org.br/15conferencia.

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